O Japão e os Estados Unidos anunciaram, em 30 de março de 2025, o lançamento antecipado de um programa conjunto de coprodução do míssil ar-ar AIM-120 AMRAAM (Advanced Medium-Range Air-to-Air Missile). O anúncio foi feito durante um encontro em Tóquio entre o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, e o ministro da Defesa japonês, Gen Nakatani. A iniciativa visa fortalecer ainda mais a aliança militar entre os dois países, diante do aumento das ameaças representadas pela China e pela Coreia do Norte.

O acordo reflete a intensificação da cooperação em defesa entre EUA e Japão diante de um cenário regional marcado pela crescente assertividade militar chinesa e pelo avanço dos programas nuclear e de mísseis balísticos da Coreia do Norte. A coprodução antecipada do míssil AMRAAM representa um passo decisivo na integração industrial de defesa e na prontidão operacional entre as duas nações.

Desenvolvido pela Raytheon, o AIM-120 AMRAAM é um dos mais eficazes mísseis ar-ar de médio alcance do mundo, com radar ativo, navegação assistida por GPS e contramedidas eletrônicas avançadas. A versão mais recente, AIM-120D, alcança mais de 160 km de alcance e é compatível com diversas plataformas, incluindo F-15, F-16, F/A-18, Eurofighter Typhoon e os caças furtivos F-35, sendo especialmente relevante para a frota japonesa de F-15J e F-35A/B.

AIM-120_AMRAAM em corte

A estrutura de coprodução prevê colaboração entre empresas de defesa japonesas e a Raytheon na fabricação de componentes, montagem final e integração de sistemas, apoiada por acordos de transferência de tecnologia. Isso ampliará a capacidade industrial do Japão e reduzirá a dependência de cadeias de suprimentos externas, assegurando disponibilidade contínua de mísseis em momentos de crise.

O acordo também se insere na nova orientação estratégica do Japão, que busca desenvolver uma base industrial de defesa mais autônoma e resiliente. Além da Força Aérea de Autodefesa operar amplamente com tecnologia e aeronaves de origem americana, como os F-15J, F-2 e F-35, outras forças japonesas utilizam sistemas dos EUA, como os mísseis Patriot, destróieres Aegis, helicópteros Apache e Black Hawk, entre outros.

Durante o encontro, os governos reafirmaram o compromisso de aprimorar a coordenação operacional entre os dois países, com foco especial na defesa das ilhas do sudoeste do Japão, próximas a Taiwan e ao Mar da China Oriental. A aliança também prioriza o reforço de capacidades de vigilância, defesa aérea e resposta rápida nessas regiões estratégicas. Detalhes adicionais sobre cronograma e parceiros industriais do programa AMRAAM deverão ser anunciados em futuras reuniões bilaterais.

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BraZil

Bom dia. Do jeito que a coisa vai os EEUU vão “co produzir” até uniformes e rações militares. Os sinais de declínio são cada vez mais evidentes. Quem te vu, quem te vê Tio Sam…

Angus

Particularmente eu não consegui observar a informação, na matéria, que o EUA vai perder a capacidade de produzir o AMRAAM sozinho.
A coprodução, salvo melhor juízo, visa capacitar industrias do Japão na fabricação, montagem e integração dos sistemas do míssil.
O que eventualmente seria um facilitador para aumentar a velocidade de produção, se for necessário.
Sinceramente, não vejo desvantagem, até porque o Japão é o aliado mais confiável e forte da região.

Rinaldo Nery

Creio que a coprodução é pra favorecer o Japão. Não que os EUA tenham perdido capacidade.

Bosco

Putz!!!

Pestana

Cegueira ideológica demonstrada nesse comentário

Rinaldo Nery

Problema de interpretação de texto. Muito comum aqui.

Bosco

Assim fosse.
É só desonestidade intelectual mesmo.

Carlos Campos

Vejo diferente, o Japão pode fazer um míssil ao invés de coproduzir, assim os EUA tiram o Japão do Mercado e os EUA ganham dinheiro.

Bosco

Mas onde está dizendo que o Japão não poderá continuar a produzir seu próprios mísseis ar-ar?
*Vale lembrar que o Japão não vende suas armas.

Antunes 1980

Quem poderia imaginar que o Japão se tornaria o país mais vulnerável entre as nações ricas do Oriente?

Com a Coreia do Norte e a China intensificando a pressão, o risco cresce, especialmente diante do poderio nuclear capaz de varrer o Japão do mapa.

Last edited 4 dias atrás by Antunes 1980
PACRF

A China ultrapassou os EUA nas relações comerciais bilaterais com o Japão. Quem tem interesse em varrer o Japão do mapa? Não é a China, com certeza.

Bosco

Acho que relação comercial não tem nada a ver com isso. Advinha qual país tinha a melhor relação comercial com a Ucrânia até 2022?

Heli

O que prova que por um palhaço pra presidente não foi uma boa

Bosco

Não consigo fazer essa relação.

Carlos Campos

Interessante que o Japão também tem tem o AAM4 da MITSUBISHI, e futuramente o JNAM que é um METEOR com seeker do AAM4.

BraZil

kkk Vou explicar para os ruins em interpretação de texto Os EEUU não perderam a capacidade de fabricar este míssil, apenas não conseguem mais sozinhos, produzir este e diversos tipos de outros armamentos na quantidade e no prazo necessários para as demandas do mundo atual, daí as “co produções” e aguardem que virão mais, E nesse quesito, (produção em larga escala de armamentos a curto prazo) perdem para alguns adversários…

Rinaldo Nery

Tem dados, fonte, pra provar seu raciocínio? Ou é Arial 12?

Akivrx

Os japoneses estavam negociando a produção sob licença do AMRAAM faz tempo, o AAM4 não entra dentro do compartimento de armas do F-35 e produzindo o míssil localmente em certos casos é melhor do que comprar do Eua via FMS onde se divulga as quantidades adquiridas, os japoneses não divulgam a quantidade de munições que eles produzem internamente, eles divulgam apenas o valor da compra.
Em algumas notícias japonesas dizem que o Eua pretende encerrar a produção do AMRAAM em 2026 e irá focar no novo modelo AIM 260 JATM.

Bosco

Tá, jênio.
Ainda que sua fonte no Pentágono tenha te revelado isso e seja a mais pura verdade.
Qual o problema disso?

Last edited 4 dias atrás by Bosco
Rinaldo Nery

O Secretário de Defesa mandou um zap p ele…

Bosco

rsss

Abymael2

O Japão é um país ocupado, desde 1945. Como dizia um antigo opinador aqui da Trilogia, trata-se de um “cuckhold country”. Assim, faz o que o tio Sam manda e depois ainda baixa as calças (ou o kimono, neste caso).
Triste quadra histórica para uma outrora orgulhosa e singular civilização de mais de dois mil anos.

Bosco

Tá vendo agora porque a Ucrânia que era o cuckhoud country (não faço a mínima) da Rússia quer se ligar ao Ocidente?
Até pra ser esse negócio aí que vc citou é mais vantajoso ser de uns e não de outros.
É aquela história, as vezes é melhor ser rabo de tubarão que cabeça de sardinha.

Abymael2

Devo admitir que você está certo rsrsrsrs

Akivrx

Foi divulgado também que o Japão pediu para o Eua liberar a licença de produção do SM-6 também.

Tutor

Um país com o dinheiro do Japão e com a tecnologia que tem o Japão não deveria ter tanta dependência de material bélico de outros países.

Aéreo

Acho que podem existir várias interpretações para essa notícia. Israel tem uma situação análoga. Embora seja um dos maiores produtores de mísseis e munições inteligentes do mundo, o estado judeu utiliza de forma intensiva sistemas americanos. Creio que para Israel há a vantagem de que falhas e fragilidades do sistema que só são conhecidas em situações de combate real podem ser supridas pela presença de outro sistema análogo. Além de um maior estoque de munições na prática. Para os EUA tem a vantagem dos ganhos de escala de produção e manutenção das linhas sempre aquecidas. O Japão (assim como Israel)… Read more »

BraZil

E em breve veremos outras “co produções” serem ativadas, inclusive com países Bálticos e Alemanha. Parte da infraestrutura desses países selecionados que pode ser aproveitada para as” co produções” é utilizada e assim a escala de produção aumenta e os prazos diminuem. Só dessa forma os EEUU conseguem acompanhar o ritmo de produção estratosférico de seus rivais Rússia e China. Foram muitas décadas negligenciando a produção em escala, acreditando na política dos Falcões, de que suas maravilhas tecnológicas seriam suficientes para vencer a guerra moderna. Mas o choque de realidade veio forte e rápido e o declínio já está bem… Read more »